Bacia sedimentar de Itaboraí

De Dicionário Livre de Geociências


Amotra de calcário travertino de Itaboraí Autor:Eurico Zimbres
Amotra de calcário travertino de Itaboraí
Autor:Eurico Zimbres

Situa-se a cerca de 30 km a Nordeste da cidade do Rio de Janeiro. Constitui-se numa depressão com cerca de 1500 metros de comprimento e 500 metros de largura. Sua profundidade máxima alcança 100 metros. Seu alongamento se dá na direção na direção ENE -WSW, coincidente com as estruturas geológicas regionais. Sua origem é atribuída a esforços tardios de tração (rift) atuantes no processo de separação dos continentes sul americano e africano. Estudos isotópicos pelo método K-Ar em rochas vulcânicas, encontradas em contato com rochas desta Bacia, resultaram na idade aproximada de 52 milhões de anos, situando-a portanto no Paleoceno.

Esta Bacia se desenvolveu sobre rochas metamórficas pré-cambrianas (idade ao redor de 600 milhões de anos), onde predominam gnaisses graníticos com intercalações de lentes de mármore e rochas calciosilicáticas.

As principais rochas presentes nesta Bacia são calcários de origem hidrotermal, precipitados de soluções aquosas quentes que traziam sais de cálcio dissolvidos de rochas metamórficas (mármores e rochas calciosilicáticas) presentes em seu embasamento.

Estas soluções termais, ao se acumularem em um lago, deram origem, por precipitação química, à formação de espesso pacote de calcário travertino fitado e calcário oolítico, em sua porção mais superficial.

Durante cerca de 50 anos este calcário foi explorado pela Companhia de Cimento Mauá. Com o esgotamento de sua reserva mineral, o local foi abandonado, dando origem a um grande e profundo lago de água doce, hoje aproveitado como manancial para abastecimento do Município. Em 1995 a área foi transformada no “Parque Paleontológico de São José de Itaboraí”, pela Prefeitura do Município de Itaboraí, estando atualmente preservada como sítio de interesse paleontológico.

Esta Bacia, apesar de sua pequena dimensão, tem um valor didático e científico grande devido a:

  • 1- Grande quantidade de fósseis de gastrópodes, répteis, anfíbios, aves, mamíferos e vegetais produzidos no decorrer de sua exploração comercial.
  • 2- Representa o mais antigo registro fóssil da fauna e flora continental que se desenvolveu no Brasil após o episódio que levou à extinção dos dinossauros no planeta.
  • 3- Proximidade de grandes centros populacionais e de diversas entidades universitárias de pesquisa, que podem se beneficiar se este Parque se transformar em um local de visitações públicas, acompanhadas de guias especificamente treinados


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