Basalto

De Dicionário Livre de Geociências


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Autor: E. Zimbres  Contato geológico entre um granito (rocha clara e um basalto (rocha escura)
Autor: E. Zimbres
Contato geológico entre um granito (rocha clara e um basalto (rocha escura)

Basalto: s.m. Geol. -Rocha ígnea vulcânica, escura, composta essencialmente de plagioclásio cálcico (An>50%) e piroxênios. Apresenta textura de grãos finos, podendo ter material vítreo em pequena quantidade. A composição química dos basaltos é muito constante, variando o teor de SiO2 entre 45 e 55%. Os teores de Cálcio, Ferro e Magnésio são elevados e o de Potássio é pequeno. O magma que deu origem aos basaltos é anidro, e por isto é raro encontrar minerais hidratados.

Os basaltos constituem a rocha mais abundante na crosta pois é o formador da crosta oceânica, além de ocorrer como grandes derrames sobre os continentes.

Do ponto de vista de sua composição, os basaltos podem ser divididos em toleíticos e alcalinos, cujas composições são dadas na tabela que se segue:





Composição de basaltos em óxidos
(porcentagem em peso)
Basalto

toleítico

Basalto

alcalino

SiO2 51,38 48,25
TiO2 1,552,21
Al2O3 16,30 16,05
Fe2O3 3,233,11
FeO 7,418,03
MnO 0,170,17
MgO 5,606,57
Cao 9,759,87
Na2O 2,53 2,99
K2O 0,781,03


O alto conteúdo em ferro faz com que a magnetita (Fe3O4)seja um mineral comum nos basaltos, conferindo-lhes um campo magnético facilmente mensurável. Em amostra de mão, o basalto, e seu correspondente plutônico, o gabro, chegam a desviar da vertical um imã comum, pendurado em uma linha fina, quando estes são colocados próximos, mas sem se tocarem.

Esta suscetibilidade magnética dos basaltos está associada a uma espetacular descoberta: a expansão do assoalho oceânico, descoberta que fortaleceu e acabou por levar a comunidade científica à plena aceitação da Teoria da Tectônica Global.

Fonte:USGS, modificado por E.Zimbres
Fonte:USGS, modificado por E.Zimbres


Ao final da década de 1950, os geocientistas, realizando mapeamentos magnetométricos do fundo dos oceanos, descobriram que os basaltos oceânicos se apresentavam, a partir das dorsais meso-oceânicas, faixas magnéticas com polaridades invertidas. Estas faixas foram associadas às recorrentes inversões dos polos magnéticos terrestre, ou seja mudança da polaridade campo magnético terrestre. Esta descoberta fortaleceu a hipótese de que o assoalho oceânico se expande a partir das cadeias meso-oceânicas. Como o Planeta Terra possui uma superfície externa constante, a criação de crosta oceânica em um lugar só seria possível se, em outros lugares, estivesse havendo a correspondente destruição de crosta, o que foi mais tarde constatado nas zonas de encontro de placas (zonas de subducção).




Origem

Com base em estudos e amostragens das áreas de ocorrência dos basaltos e rochas associadas(fundo oceânico, dorsais oceânicas, ilhas oceânicas isoladas, sequencias ofiolíticas e dos grandes derrames basálticos continentais) foi estabelecido uma íntima associação do basalto com rochas mais ricas em olivinas (peridotitos) e piroxênios (piroxenitos).

Com base nesta associação desenvolveu-se a ideia de que os basaltos se originam no manto através de fusão parcial das rochas ultramáficas aí existentes. Inicialmente houve a ideia de identificar estas rochas como sendo eclogitos. Experiências de fusão de eclogito realizadas em laboratório mostraram que a diferentes pressões e temperaturas, são produzidos magmas equivalentes a basaltos alcalinos e basaltos toleíticos.

No entanto, as velocidades das ondas sísmicas no Manto, não tem os mesmos valores dos calculados, para o eclogito, em laboratório.

Tendo sido descartada a ideia de um manto eclogítico, Green e Ringwood, dois geocientistas australianos, calcularam qual deveria ser a composição do Manto, capaz de produzir magma basáltico e peridotítico, chegando à formulação de uma rocha teórica, que denominaram de pirólito e que deveria corresponder a uma mistura teórica de 1/3 de basalto e 2/3 de peridotito.

Em experiência de laboratório, a partir de uma mistura com a composição indicada para o pirólito, eles conseguiram, em condições de pressão e temperatura equivalentes a profundidades de 35 a 70 km, produzir magma basáltico, no qual coexistiam, em equilíbrio, uma mistura de olivinas e piroxênios aluminosos, idêntica à encontrada em xenólitos dos basaltos naturais.

Em condições de pressão e temperatura menores conseguiram gerar um magma equivalente ao dos basaltos toleíticos, os mais abundantes na crosta terrestre.




Tipos de Basaltos

  • Basalto toleítico: é relativamente rico em sílica e pobre em Na. Forma o tipo mais abundante, compreendendo o assoalho oceânico, a maioria das ilhas oceânicas, os derrames continentais de basalto, como os existentes no Brasil. A composição mineral compreende: Plagioclásio cálcico (Labradorita -Bytonita - Anortita), piroxênios (augita e ortopiroxêncio ou pigeonita), magnetita. Secundariamente pode conter quartzo, na forma de material vítreo intersticial, e alguma olivina.
  • Olivina basalto: tem augita e ortopiroxênio ou pigeonita, com abundante olivina. Os piroxênios podem aparecer como auréolas nas olivinas,
  • Basalto aluminoso: os minerais típicos são augitas e olivina, possuindo mais alumina (> de 17% Al2O3) e menos titânio do que os toleitos.
  • Basalto alcalino: é relativamente pobre em sílica e em Sódio (Na). Possui augita, olivina, feldspatóides e pode conter feldspato alcalino e mica flogopita

Formas de ocorrência

Fonte:NOAA/USA Gov.Pillow lava ou lava almofadada
Fonte:NOAA/USA Gov.
Pillow lava ou lava almofadada

Os basaltos constituem a rocha mais abundante na crosta terrestre, pois é o constituinte dos assoalhos oceânicos, que cobrem 2/3 da superfície do planeta.

Quando o derrame de lava basáltica ocorre em regiões submarinas, ou alcança o leito do mar, dá origem a estruturas almofadadas (pillow lava, pillow=almofada em inglês).

Sobre os continentes os basaltos podem ocorrer como:

O resfriamento de magma basáltico comumente dá origem à disjunção colunar.

Interesse econômico

  • Os derrames basálticos brasileiros, de idade mesozoica, quando expostos à superfície, se intemperizam profundamente dando origem a um solo vermelho muito fértil, conhecido popularmente como terra roxa ( do italiano rosso = vermelho).
  • Brita: em regiões de rochas sedimentares, como as Bacias Sedimentares Paleozóicas brasileiras, os derrames, diques e sills de basalto constituem as únicas rochas capazes de fornecer brita para a indústria da construção civil.
  • Pedra de talhe: o basalto é uma rocha fácil de ser quebrada em formatos bem regulares para a produção de macadame (paralelepípedos), pedras portuguesas, e blocos para muros de contenção por gravidade.
  • Pedras de revestimento: Blocos (matacões) maiores podem ser serrados para a produção de lajotas para revestimento, alcançando um bonito brilho e uma cor escura conhecida como negro absoluto.
  • Ametista e ágata: Geodos, de vários tamanhos, atapetados de ametista (quartzo roxo), estão associados a derrames basálticos, fornecendo belos espécimes para fins ornamentais e na produção de gema para fins de joalheria.



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