Calagem

De Dicionário Livre de Geociências


Calagem, método agrícola que, de forma artificial, procura mudar o pH do solo, através da adição de calcário finamente moído, melhorando sua condição agrícola.

No Brasil, a calagem é uma prática que se tornou comum nos últimos 40 anos e foi responsável pela inclusão de várias áreas á agricultura nacional, levando à expansão da agricultura para áreas antes não cultivadas como o cerrado. Além do aumento da área agricultável, também foi responsável por um espetacular aumento da produtividade agrícola.

Apesar de ter sido introduzida recentemente na agricultura, há relatos de que povos antigos, como os egípcios, já a praticavam, adicionando argila com calcário ao solo.

No passado, houve, no Brasil, a prática de usar o conteúdo conchífero dos sambaquis, na calagem do solo. Hoje está prática está terminantemente proibida por lei.

Índice de conteúdo

Acidez do solo

A acidez do solo indica quanto de íons H estão livre e sua medida se dá através do pH (potencial hidrogeniônico).

O pH é a medida da acidez ou alcalinidade do solo, sendo que o processo de hidrólise dos minerais alumino silicatados, com a consequente formação de hidróxido de alumínio, é um dos responsáveis pela disponibilização dos íons hidrogênio nos solos.

A acidez ou a alcalinidade dos solos tem diferentes fontes. Nos sistemas naturais o pH é afetado pela mineralogia, clima e intemperismo. O manejo do solo sempre altera o pH natural devido ao ácido formado pelos fertilizantes nitrogenados e pela remoção de bases (potássio, cálcio e magnésio).
Solos que possuem minerais sulfetados podem produzir solos muito ácidos quando são expostos ao ar. Estas condições sempre ocorrem nas planícies de maré ou próximo de locais onde houve atividade mineira recente e o solo é bem drenado e aerado.

Certos resíduos de atividades minerais, como na indústria carbonífera, possuem alto teor de minerais sulfetados, precisando, portanto, de um manejo muito cuidadoso para evitar danos ao meio ambiente.

O uso de fertilizantes nitrogenados, apesar de seus evidentes benefícios, também liberam íons H+ durante sua degradação por micro-organismos do solo.

Fertilizante Amoniacal: 2NH4 + + 3 O2 → 2NO2- + 2H2O + 4H+

Ureia: CO (NH2)2 + 2H2O → (NH4)2 CO3 (que é degradado segundo a reação anterior, liberando íons H+.

Classificação dos solos segundo o pH

Classificação Geral dos Solos Segundo o pH
Extremamente ácido 3,5 a 4,4
Muito fortemente ácido 4,5 a 5,0
Fortemente ácido 5,1 a 5,5
Moderadamente ácido 5,6 a 6,0
Levemente ácido 6,1 a 6,5
Neutro 6,6 a 7,3
Levemente alcalino 7,4 a 7,8
Moderadamente alcalino 7,9 a 8,4
Fortemente alcalino 8,5 a 9,0


Classificação Agronômica dos Solos Segundo o pH
Muito baixo <4,5
Baixo 4,5 a 5,4
Bom 5,5 a 6,0
Alto 6,1 a 7,0
Muito alto > 7,0

Disponibilidade dos Nutrientes em função do pH

Os nutrientes necessários aos vegetais são divididos em duas categorias:

-Macronutrientes, que são o N, P, K, Ca, Mg, S, C, H e O.

-Micronutrientes, que são B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn.

O pH do solo influencia a solubilidade destes nutrientes, afetando também a atividade dos micro-organismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e muitas das transformações químicas no solo.

Para a absorção de um nutriente, é necessário que sua solubilização, desta forma o pH influencia a disponibilidade de muitos dos nutrientes das plantas.

Elementos tóxicos para as plantas, como o Alumínio, são solubilizados quando o pH é baixo. A forma de evitar este problema é corrigindo o pH de forma a torná-lo mais adequado.

Uma faixa de pH entre 6 e 7 é geralmente mais favorável ao crescimento das plantas porque os nutrientes estão mais disponíveis. Contudo certos vegetais requerem pH acima ou abaixo desta faixa.

Solos que tem pH abaixo de 5,5 geralmente tem baixa disponibilidade de cálcio, magnésio e fósforo. Em pH abaixo de 5,5, a solubilidade do alumínio, ferro e boro é alta, sendo baixa para o molibdênio.

Em pH acima de 7,8, cálcio e magnésio são abundantes e o molibdênio, se estiver presente no solo, estará disponível.

Solo com pH elevado apresentam uma disponibilidade inadequada de ferro, manganês, cobre, zinco e especialmente fósforo e boro.

Como dito acima, solo com pH muito baixo aumenta a disponibilidade do Al que ao ser absorvido pelas plantas, tem efeito tóxico, na medida que impede seu enraizamento profundo, dificultando a absorção de água e de outros micronutrientes como P, Ca e Mg.

O pH afeta muitos micro-organismos, sendo que um pH entre 6,6 a 7,3 é favorável ás atividade microbianas o que contribui no aumento da disponibilidade do Nitrogênio, Enxofre e Fósforo no solo.


Mobilidade de metais pesados

Muitos metais pesados são mais solúveis em condições ácidas e podem se infiltrar no solo e atingirem os aquíferos, cursos de água e lagos.

Corrigir o pH do solo favorece pois a conservação dos recursos hídricos. Por outro lado, resíduos que aumentam a acidez do solo podem levar à mobilização de metais pesados que estava imobilizados, aumentando seus efeitos deletérios




Corrosão

O pH do solo é um dos atributos que mais influencia o poder de corrosão dos solos. Em geral os solos que são alcalinos ou altamente ácidos são mais corrosíveis em relação ao aço. Solos com pH 5,5 ou mais baixo tem mais probabilidade de serem mais corrosíveis ao concreto.

Solos de região de turfeiras por apresentarem pH muito baixo (ácido), são locais onde tem sido encontrados restos muito bem preservados de humanos e animais. A conservação se dá em virtude da acidez do meio, o que impede a ação das bactérias do solo.


Como modificar o pH do solo?

Um solo com pH de 5,6 é considerado como baixo para a maioria das plantações. Geralmente o pH ideal está entre 6,0 e 7,0. A calagem é o método mais usado para aumentar o pH. Isto envolve a adição de calcário finamente moído ao solo. A reação do calcário depende de sua granulometria, da temperatura do solo e sua umidade.

Quanto mais fino o calcário mais rápida é a reação.

A quantidade de calcário a se adicionar ao solo depende do teor de matéria orgânica e argila, do pH do solo e do poder relativo de neutralização total (PRNT), índice que mede a capacidade de um calcário modificar o pH do solo. A calagem realizada de uma forma criteriosa, tem efeito residual prolongado no solo, funcionando em geral por cinco anos. Ao fim deste período, nova calagem se faz necessária. O uso de mais calcário do que o necessário (supercalagem) pode provocar queda da produtividade agrícola e consequente prejuízo.

Solo com pH maior do que 8,0 é considerado alto para a maioria das plantações. Estes solos são em geral carbonáticos, isto é contém elevado teor de carbonato de cálcio. Para diminuir sua alcalinidade são adicionados ácidos. Estes dissolvem os carbonatos e abaixam a alcalinidade.

No entanto, tratamento com ácido é considerado anti-econômico em solos com mais de 5% de carbonato de cálcio. Nestes solos a disponibilidade de fósforo, ferro, cobre e zinco é menor e a deficiência em nutrientes é visível. A adição destes nutrientes é em geral mais eficiente do que tentar baixar seu pH.

Quando o pH está acima de 8,6 o sódio sempre está presente. Estes solos em geral são deficientes em sulfato de cálcio e carbonato de cálcio, pelo menos no horizonte afetado do solo.

A adição de gipsita seguido pela lixiviação através da irrigação é uma prática comum. Deve-se tomar cuidado com este processo na medida que os sais carregados pela drenagem podem contaminar as águas e solos a jusante.

A aplicação de amônia anidra como fertilizante nitrogenado contribui para abaixar o pH do solo.

Especificações dos corretivos

No Brasil, em nível federal, as especificações dos corretivos e sua comercialização é normatizada pela INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 4, DE 2 DE AGOSTO DE 2004, do MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO.

Modificado de USDA (United States Department of Agriculture)


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