Classificação das rochas

De Dicionário Livre de Geociências


A classificação é um processo muito comum nas Ciências. Classificar signfica organizar, separar em grupos, um conjunto de fenômenos ou objetos de forma que possamos realçar suas identidades e diferenças. Os objetos podem ser vivos ou inanimados, reais ou imaginários, concretos ou abstratos, substantivos ou qualitativos, entre outros.
Toda classificação é feita tendo em vista sua utilidade.

Muitas vezes a classificação não é independente das teorias que usamos para entender os objetos de estudo. Quando isto acontece e muda a teoria, ou a hipótese que nos orienta, surge a necessidade de mudarmos nossas classificações de modo a adequá-las à nova forma de pensar.

Na Geologia sempre houve a preocupação de se organizar as rochas em grupos, para melhor estudá-las.
Há muitas maneiras de se fazer isto, e cada classificação tem suas vantagens e desvantagens.

A classificação de rochas mais usada é aquela que as organiza em grupo segundo o processo de sua formação, segundo o processo de sua gênese, também conhecida como classificação genética.


Índice de conteúdo

Classificação Genética

Como já foi dito, esta é a classificação mais usada em Geologia. As rochas são classificadas segundo sua gênese, isto é, segundo o processo que a originou.


Ígneas ou Magmáticas

São aquelas que se originaram do processo de consolidação de um magma. São dividas em dois grandes grupos segundo a profundidade em que se formaram: plutônicas ou intrusivas e vulcânicas ou extrusivas.

Plutônicasm ou Intrusivas

As rochas plutônicas se cristalizam em profundidade na crosta terrestre, isto é, se resfriam muito lentamente por estarem em ambiente aquecido pelo gradiente geotérmico e por perderem calor muito lentamente. Estas condições permitem o crescimento dos cristais que podem chegar a centímetros de tamanho. Como regra geral as rochas plutônicas se caracterizam por possuírem minerais que podem ser individualizados e vistos a olho nu.

Exemplo: Granito

Vulcânicas ou Extrusivas

Como lembra o nome, as rochas vulcânicas, estão associadas a fenômenos vulcânicos, isto é, fenômenos que ocorrem na superfície do planeta. Importante lembrar que vulcânico não significa necessariamente estar associada a vulcão.
O magma quando atinge a superfície recebe o nome de lava, quando na forma líquida.

Esta rochas por se cristalizarem em ambiente atmosférico, perdem calor muito rapidamente, o que não permite um crescimento muito grande de seus minerais. Como regra geral dizemos que em uma rocha vulcânica os minerais só são visíveis com o uso de uma boa lupa ou microscópio.

Exemplos:

Riolito, que é o equivalente vulcânico do granito.

Basalto, uma rocha vulcânica muito comum no Brasil e no assoalho oceânico.

Sedimentares

São aquelas formadas pela deposição de material detrítico, matéria orgânica ou precipitados quimicos (evaporitos).

O material após ser depositado passa por um processo de endurecimento (litificação) através de compactação e cimentação. Ao conjunto dos fenômenos que levam à litificação de um sedimento chamamos de diagênese.

Como as rochas sedimentares se formam em ambiente superficial, seus minerais são adaptados às condições termodinânicas ai reinantes, predominando grãos de quartzo, argilas, carbonatos e outros sais.

Metamórficas

São rochas formadas a partir de rochas já existentes, inclusive outras rochas já previamente metamórfizadas, quando estas são levadas a um ambiente de pressão e/ou temperatura superiores às condições em que foram formadas.
As novas condições de pressão e/ou temperatura devem ser suficientes para que os minerais sofram modificações químicas ou físicas. Como mudança química temos reações que levam à formação de novos minerais e como mundanças físicas pode ocorrer simplesmente o crescimento e reorganização dos cristais através do fenômeno conhecido como recristalização.

Para classificações mais detalhadas ver os artigos específicos de cada tipo genético de rocha.



Outras classificações

Existem muitas outras maneiras de classificar as rochas e muitas destas classificações tem uma utilidade muito restrita. Mesmo as classes genéticas descritas acima, podem ser subdivididas em um sem número de subclasses. Abaixo indicamos outras classificações que o estudante de Geociências normalmente utiliza em seus estudos.


Classificação química

O Silício é o segundo elemento químico mais abundante na Crosta terrestre, sendo que o mais abundante é o Oxigênio. Desta forma os óxidos de silício (SiO2) jogam um papel importante na formação dos minerais mais abundantes: feldspatos, quartzo e micas.

As rochas ricas em Silício são também ricas em minerais silicatados. Quando o teor de Silício é suficientemente grande, forma-se o dióxido de silício, que é o quartzo. Por outro lado rochas pobres em Silício são também pobres nestes silicatos. Enfim, numa rocha ígnea sua composição e o teor de silício é um bom indicador dos minerais que se espera encontrar nas mesmas. No caso das rochas vulcânicas, onde os minerais são de difícil visualização, estes parâmetros acabam tendo muita importância para classificá-las.

Assim sendo surgiu uma proposta classificatória das rochas ígneas baseada no teor de SiO2 (sílica):

Ácida

O teor de sílica é superior a 66%. Nestas rochas a quantidade de sílica é suficiente para cristalizar o Quartzo. Exemplo:Granito

Intermediária

O teor sílica varia de 66 a 52% Não há sílica suficiente para se formar quartzo em abundância, predominando os silicatos na forma de feldspatos e feldspatóides. Ex:Andesito

Básica

O teor de sílica varia de 52 a 45%.
Ex:basalto,gabro

Ultrabásica

O teor de sílica é menor do que 45%
Ex:peridotito, dunito, kimberlito

As rochas básicas e ultrabásicas são rochas onde o teor menor de Silício é contrabalançado pelo aumento relativo de outros elementos como Ferro, Magnésio e Cálcio. São pois rochas ricas em silicatos destes elementos, como piroxenios, anfibólios, olivinas e óxidos de ferro (magnetita) e titânio (ilmenita)

A tabela a seguir é uma tentativa simples de classificar as rochas ígneas segundo sua composição e modo de ocorrência:

Composição
Modo de ocorrência Ácida
(>66%SiO2)
Intermediária
(66-52%SiO2)
Básica
(52-42%SiO2)
Ultrabásica
(<45%SiO2)
Intrusiva Granito Diorito Gabro Peridotito
Extrusiva Riolito Andesito Basalto Komatiito

Segundo a cor

Como visto, a composição do magma vai influenciar os minerais que se formarão. A presença do quartzo e feldspatos, (minerais félsicos), deixa a rocha com cor clara e a presença de silicatos de ferro, magnésio e óxidos (minerais máficos), deixa a rocha com cor escura.

A classificação de uma rocha segundo sua cor reflete a proporção entre minerais máficos e félsicos. Esta proporção é conhecida como índice de cor de uma rocha ígnea, assim definido: Número que define a composição volumétrica porcentual dos minerais máficos numa rocha ígnea.

Hololeucocrática

Índice de cor menor que 10%

Leucocrática

Índice de cor entre 10 e 30%

Mesocrática

Índice de cor entre 30 e 60%

Melanocrática ou máfica

Índice de cor entre 60 e 90%

Ultramáfica ou ultramelanocrática

Índice de cor maior 90%

Hololeucocrática Leucocrática Mesocrática Melanocrática ou
Máfica
Ultramelanocrática ou
Ultramáfica
<10% 10-30% 30-60% 60-90% >90%

Segundo sua coerência

Nos estudos de Engenharia a rocha é muito estudada segundo sua capacidade de suportar o peso das estruturas civis: edifícios, pontes, túneis. Desta forma na Engenharia é muito comum o uso de classificações segundo o grau de rigidez ou de coerência das rochas. É necessário lembrar que uma rocha alterada ou em início de alteração perde sua coerência.

Rocha sã

Rocha que não foi atacada por processos intempéricos físicos ou químicos. Em geral são rochas com grande resistência, suportam teto de túneis ou peso de grandes estruturas.

Rocha alterada

Rocha onde já se manifesta e é visível processos intempéricos químicos e físicos. Um sinal de que a rocha já está sendo alterada pelo intemperismo químico, é dada pela perda de brilho dos planos de clivagem mais externos dos grãos de feldspatos. Á medida que o intemperismo químico progride o feldspato fica cada vez mais sem brilho, isto é, fica fosco, sem brilho. A mica biotita também pode nos dizer alguma coisa, pois ela também perde o brilho e passa a uma cor mais amarelada.

Rocha muito alterada

Aquelas onde já se pode visualizar vestígios de argila e óxidos e hidróxidos de ferro. Estas substâncias são produzidas pelo intemperismo químico. O solo é um caso extremo de rocha alterada.

Deve-se notar, contudo, que é comum estes graus de alteração ocorrerem juntos, principalmente onde fraturas levam ao intemperismo da rocha ao longo das mesmas, permanecendo esta sã a uma certa distância da fratura.

Na Serra do Mar, em São Paulo, durante a construção da Rodovia dos Imigrantes, foram encontradas rochas alteradas ao longo de fraturas, a profundidade de até 300 metros da superfície do terreno. Formavam perigosos bolsões de uma mistura de argila e água, que rapidamente entravam em movimento quando eram alcançadas pela perfuração na frente de trabalho.


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