Cone de depressão

De Dicionário Livre de Geociências


Cone de Depressão; s.m.- Um poço quando bombeado, tem seu nível dinâmico alterado, este rebaixamento gerará uma zona de influência em torno de onde se está bombeando. Se o aquífero for isotrópico, esta zona ou área terá um formato de cone e por se tratar de um rebaixamento, uma depressão, recebe o nome de Cone de Depressão.

Cone de depressão e o funcionamento de um poço

Quando iniciamos o bombeamento de um poço, ocorre neste o rebaixamento do nível da água, criando um gradiente hidráulico (uma diferença de pressão) entre este local e suas vizinhanças. Este gradiente provoca a vinda contínua de água do aqüífero em direção ao poço, enquanto estiver sendo processado o bombeamento.

Se o bombeamento parar, o nível d’água retorna ao nível original (recuperação). Ao nível em que se encontra a água dentro do poço quando este está sendo bombeado chamamos de nível dinâmico.

O rebaixamento do nível d’água possui a forma cônica, cujo eixo é o próprio poço. A formação deste cone responde à necessidade de a água fluir em direção ao poço para repor a que está sendo extraída.

Nos aqüíferos isotrópicos, a água chegará todos os lados com a mesma velocidade, dando origem a uma superfície cônica relativamente simétrica. Se o aqüífero for anisotrópico, este contorno será alongado segundo a direção da velocidade menor do fluxo de água.

A forma do cone de depressão dependerá dos seguintes fatores:

  1. Do volume de água que está sendo bombeado: um mesmo poço apresentará cones de tamanhos diferentes em função do volume de água que está sendo extraída. Volume maior implica em maior rebaixamento do nível da água dentro do poço.
  1. Da permeabilidade do aqüífero: esta determinará a velocidade com que a água se movimenta para o poço. Quando a permeabilidade é grande, maiores volumes de água chegarão ao poço em menos tempo, provocando um cone menos profundo. Se a permeabilidade do aqüífero for pequena, o cone terá um rebaixamento muito pronunciado.

O cone de depressão se expandirá até que seja capturada uma quantidade de água que iguale o volume que está sendo extraído pelo bombeamento. Esta água capturada poderá ser: água de cursos superficiais ou de mares e lagos; água da chuva ou águas de camadas superiores separadas do aqüífero por camadas semiconfinantes, no caso de aqüíferos artesianos. Quando a quantidade de água capturada pelo cone de depressão se iguala ao volume que está sendo extraído, dizemos que o poço está sendo operado em condições de equilíbrio e o cone para de se expandir.




Poço perfurado em aqüífero com boa permeabilidade.Notar que o cone de depressão tem pequeno rebaixamento.
Poço perfurado em aqüífero com boa permeabilidade.Notar que o cone de depressão tem pequeno rebaixamento.


Poço perfurado em aqüífero de baixa permeabilidade. Notar o cone de depressão profundo
Poço perfurado em aqüífero de baixa permeabilidade. Notar o cone de depressão profundo

Obs: Notar o cone de depressão profundo

Quando o cone de depressão atinge uma massa de água superficial, se esta não estiver hidraulicamente isolada, haverá o início ou o aumento da infiltração destas águas em direção ao poço. Poços próximos a fontes de águas poluídas estão seriamente sujeitos a produzir água contaminada. Um caso muito comum é a interceptação de água de fossas e sumidouros sanitários ou de vazamentos de redes de esgoto. Mesmo uma fossa situada a jusante do poço poderá contaminá-lo, pois com o bombeamento ocorre uma inversão do fluxo subterrâneo.


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