Deriva continental
De Dicionário Livre de Geociências
Deriva Continental: Teoria proposta por Alfred Lothar Wegener, (1880 -1930), astrônomo, geofísico e meteorologista alemão, que defendia a idéia de que todos os continentes estiveram um dia formando uma único super continente, por ele denominado Pangea (do latim Pan= toda e Geos= terra, significando toda a Terra) e que há cerca de 200 milhões de anos esta grande massa continental iniciou sua ruptura dando origem a vários continentes separados. Desde o início desta ruptura até hoje estes continentes estão se separando.
Por esta teoria os oceanos, tais como os conhecemos hoje, seriam muito jovens em relação à história geológica.
Estas ideias, apesar de já haverem sido propostas anteriormente por outros autores, encontraram em Wegener um ardoroso defensor, tendo exposto seus pensamentos em diversas comunicações científicas e trabalhos.
Em janeiro de 1912 Wegener apresenta pela primeira vez suas ideias na sessão anual da União Geológica, através do trabalho: "Novas Ideias sobre a formação das grandes estruturas da superfície terrestre (continentes e oceanos) sobre bases geofísicas".
Em 1915 publica seu mais célebre trabalho, o livro "A Origem dos Continentes e Oceanos", que teria, até 1929, mais três reedições (1920, 1922 e 1929) revistas e acrescentadas.
Nascido em 1880, Wegener morreu em 1930, na Groenlândia durante trabalho de implantação de estações meteorológicas.
As ideias de Wegener encontraram grande resistência no mundo científico da época e durante as próximas três décadas, principalmente pelo fato de não se conseguir explicar de uma forma satisfatória qual seria a força motriz capaz de transladar grandes massas continentais como se fossem jangadas, arrastando-as sobre o fundo do mar.
Na década de 1960, após intensivos estudos do fundo do mar, e diante das novas evidências obtidas, várias teorias foram propostas, as quais acabaram desembocando na atual Teoria da Tectôncia global, que assimilou a essência das ideias de Wegener. Por esta razão este cientista pode ser considerado o pai da moderna Geologia.
Entre as evidências encontradas por estes estudos de pós guerra, podemos realçar as seguintes:
- Pouca idade dos sedimentos do fundo dos Oceanos;
- Distribuição dos terrotos marinhos de alto mar e sua associação com as dorsais meso-oceânicas
- Ocorrência dos terremotos associados às fossas oceânicas segundo um plano inclinado, hoje conhecido como zona de Benioff/Wadati;
- Presença e continuidade das dorsais meso-oceânicas ao longo de todos os Ocenos;
- Continuidades de antigos terrenos pré-cambrianos entre as costas do Brasil e África.
- Idades e padrões de polaridades magnéticas diferentes das rochas basálticas do fundo dos mares.
- Evidências de mudanças da polaridade do campo magnético terrestre.
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Evidências da deriva continental
A ideia de que os continentes nem sempre estiveram em suas atuais posições foi sugerida já no ano de 1596 por Abraham Ortelius, um holandês que confeccionava mapas, na terceira edição do seu trabalho "Thesaurus Geographicus". Ortelius sugeriu que as Américas, Eurásia e África estiveram um dia juntas e desde então se separaram devido a "terremotos e inundações", criando o moderno Oceano Atlântico. Como evidências ele escreveu: "Os vestígios da rupture se revelam por si mesmos se pegarmos um mapa múndi e compararmos cuidadosamente o litoral dos três Continentes". Francis Bacon, em 1620, fez referência à ideia de Ortelius, assim como Benjamin Franklin e Alexander Humboldt nos séculos posteriores.
Evidências paleontológicas
A ocorrência de vários fósseis do Triássico, nos vários países que antes estiveram unidos, mostram uma notável continuidade quando os continentes são colocados lado a lado, reconstituindo o antigo Continente de Gondwana, como pode ser observado no mapa ao lado:
Legenda da figura:
- - América do Sul
- - África
- - Índia
- - Antártica
- - Austrália
- - Ocorrência de fósseis de Cynognathus, um reptil terrestre do Triássico, com cerca de 3m de comprimento.
- - Ocorrência de fósseis de Mesosaurus, um réptil de água doce.
- - Ocorrência de fósseis do vegetal Glossopteris, encontrado em todos os continentes do antigo Gondwana
- - Ocorrência de fósseis de Lystrosaurus, um réptil terrestre de idade Triássica
Evidências geológicas
A geologia da costa oriental africana mostra uma grande semelhança com a geologia da costa atlântica do sudeste brasileiro.
Já no século XIX Marcel Bertrand e Eduard Suess haviam descrito estas semelhanças estruturais e litológicas entre os terrenos gnáissicos da costa africana oriental e os terrenos gnáissicos da costa atlântica brasileira.
Trabalhos modernos confirmaram também semelhanças das idades transamazônicas destas rochas.
Evidências na forma dos continentes
Apesar de ser a primeira e mais fácil forma de visualizar a complementaridade destes Continentes, este encaixe não se faz com muita precisão devido a mudanças geológicas ocorridas desde então. Entre estas mudanças temos: mudança da costa em virtude de novos depósitos sedimentares, processos de abatimento da costa por ocasião da ruptura do Gondwana e modificações provocadas por processos erosivos.


