Erosão
De Dicionário Livre de Geociências
Erosão: s. f. Geologia: Conjunto de processos geológicos que implicam em retirada e transporte do material solto (solo e regolito) da superfície do terreno, provocando o desgaste do relevo.
Os principais agentes de transporte são: água; vento e gelo. O material transportado recebe o nome de sedimento e vai dar origem aos depósitos aluvionares e às rochas sedimentares.
No mundo, a erosão é responsável pela perda anual de milhões de toneladas de solo fértil, a maior parte devida a práticas erradas de ocupação e manejo do solo. Este solo perdido é praticamente impossível de ser reposto, devido ao tempo necessário para tal. O desperdício de água doce, a perda de solo fértil, a desertificação, aliados ao aumento da população e ao aquecimento global, projetam tempos futuros sombrios para a humanidade.
A erosão pode ser classificada em:
Índice de conteúdo |
Pluvial
A erosão pluvial é provocada pela retirada de material da parte superficial do solo pelas águas de chuva. Esta ação é acelerada quando a água encontra o solo desprotegido de vegetação. A primeira ação da chuva se dá através do impacto das gotas d'água sobre o solo. Este é capaz de provocar a desagregação dos torrões e agregados do solo, lançando o material mais fino para cima e para longe, fenômeno conhecido como salpicamento.A força do impacto também força o material mais fino para abaixo da superfície, o que provoca a obstrução da porosidade (selagem) do solo, aumentando o fluxo superficial e a erosão.
Necessário se faz em separar claramente as ravinas formadas somente por erosão superficial das formadas pelo processo de erosão remontante. A ação da erosão pluvial aumenta à medida que mais água da chuva se acumula no terreno, isto é, a retirada do solo se dá de cima para baixo. Na erosão remontante acontece exatamente o contrário: a retirada do material se dá de baixo para cima, como é o caso das boçorocas. Uma ravina de origem pluvial pode progredir em direção a uma boçoroca, mas não necessariamente. Da mesma forma podemos ter a progressão de boçorocas independente da erosão pluvial, pois esta depende do fluxo subterrâneo e não do fluxo superficial.
Muitos autores e textos didáticos têm erroneamente confundido estes fenômenos. Separá-los, no entanto, não é somente uma questão de rigor científico, mas uma necessidade prática, pois as formas de se combater um processo erosivo dependerá de que tipo de erosão estamos enfrentando. Muitos processos indicados para evitar ou combater erosão pluvial, não funcionam quando se trata de combater erosão remontante, principalmente nos casos em que amplas boçorocas já estão instaladas na paisagem.
As principais formas de erosão pluvial são:
a) erosão laminar: quando a água corre uniformemente pela superfície como um todo, transportando as partículas sem formar canais definidos. Apesar de ser uma forma mais amena de erosão, é responsável por grande prejuizo às terras agrícolas e por fornecer grande quantidade de sedimento que vai assorear rios,lagos e represas.
b) erosão em sulcos ou ravinas: quando a água se concentra em filetes, atingindo maior volume de fluxo e que podem transportar maior quantidade de partículas formando sulcos e ravinas na superfície. Estas ravinas podem chegar rapidamente a alguns metros de profundidade. É a forma extremamente perniciosa de erosão e tem que ser combatida rapidamente para evitar a total destruição de grandes superfícies de terras agrícolas. Também é responsável pelo rápido assoreamento das terras de várzea, dos leitos fluviais, lagos e represas, facilitando o transbordamento das águas de seus cursos e provocando inundações.
Num caso extremo, as ravinas podem atingir o lençol freático. Quando isto acontece o fluxo natural da água subterrânea passa a atuar como transportador das partículas do fundo da ravina, solapando sua base e provocando o desmoronamento da cabeceira, no processo conhecido como erosão remontante. A feição daí resultante é conhecida como boçorocas.
Fluvial
Causada pelas águas de rio ou de riacho. Quando as águas de chuva se acumulam formando torrentes, a erosão deixa de ser pluvial e passa a ter a mesma dinâmica da erosão fluvial, mesmo que estas torrentes não estejam presentes durante todo o ano, como é o caso dos cursos d'água intermitentes das regiões áridas e semi-áridas.
Marinha
Erosão provocada pela ação do mar, através das correntes marinhas, ação das ondas e marés. O efeito erosivo das ondas é devido à própria água e pelas partículas de areia e silte que são mantidas em suspensão pela água em movimento. Quando as ondas atingem a base de uma falésia o efeito erosivo provoca o solapamento de sua base e a consequente queda da parte superior, que também acaba sendo erodida.
A erosão provocada pelas correntes marinhas são mais espetaculares pois conseguem carregar grandes cargas de sedimento de uma área para outra. Em algumas áreas, como na Praia de Ipanema/Arpoador, no Rio de Janeiro, em algumas estações ocorre erosão e em outras ocorre a sedimentação, voltando a praia à sua situação anterior.
Em algumas regiões litorâneas brasileiras vem ocorrendo uma acelerada erosão por correntes marinhas, tais como em Atalaia no Sergipe, Atafona em São João da Barra (RJ) e em algumas áreas do Nordeste.
Outro tipo de erosão marinha se dá pelas correntes de turbidez, que agem na região compreendida entre a plataforma continental e o talude continental.
Glacial
Eólica
A erosão eólica para proceder necessita de correntes constantes de ar e de partículas soltas que possam ser transportadas e servirem como projéteis na desagregação da rocha. Esta combinação de fatores é comum em ambientes áridos e secos, onde a cobertura vegetal do solo é pequena ou nenhuma.
Nas regiões litorâneas estas condições normalmente estão presentes, e resultam da ação combinada de dois fenômenos. De um lado a desagregação da superfície das rochas devido à cristalização de sais nas microfraturas. De outro a presença constante de vento na forma de brisas marinhas. A ação dos sais, além de produzir os grãos soltos, cria um ambiente hostil ao crescimento e à fixação dos vegetais.
Uma forma curiosa produzida pela ação do vento são os blocos facetados, conhecidos como ventifactos. São blocos de variados tamanhos que jazem sobre uma superfície descoberta e desértica, facetados pelo impacto das partículas lançadas pelo vento. Cada face deste bloco mostra o sentido preferencial das correntes aéreas no local.
*Mecanismos de transporte eólico
Dependendo do tamanho da partícula e da força da corrente de vento, o transporte eólico (ver figura) pode se dar por:
- 1- Arrastamento
- 2- Saltação
- 3- Suspensão
O transporte por suspensão é responsável por imensos depósitos de loess, que são levados a grandes distâncias a partir da fonte do material. Pesquisas detectaram material particulado proveniente da África, caindo sobre a Amazônia brasileira. A suspensão também é responsável por grandes tempestades de areia que afligem muitas cidades chinesas. O transporte por saltação é capaz de provocar a rápida erosão da parte inferior de blocos rochosos, criando figuras caprichosas coma a de acima. Quando estamos numa praia num dia com muito vento, é possível sentir as picadas dos grãos de areia nas pernas descobertas.
Honeycomb
É um tipo especial de erosão originada pela ação de sais presentes no meio ambiente e pela ação do vento.
Veja mais em honeycomb.
Erosão diferencial
Erosão diferencial: quando os materiais respondem de formas distintas ao processo erosivo. Os menos resistentes são desgastados mais rapidamente, e os mais resistentes, são preservados. Este tipo de erosão,que está intimamente associado ao caráter do material e não à erosão em si, é capaz de produzir grandes desníveis de altitude e grande variação nas formas de relevo.
Exemplos: Em terrenos onde há intercalação de camadas resistentes, como os arenitos e quartzitos, e camadas menos resistentes como folhelhos, calcáreos, xistos, se estas camadas são horizontais, formam-se encostas em degraus.
Se as comadas são inclinadas formam-se uma sucessão de cristas e vales alongados e paralelos. Dependendo da inclinação destas camadas, os vales terão vertentes assimétricas, chegando a produzir formas como cuesta e hogback.
Na Bacia sedimentar do Paraná, a intercalação de arenitos, argilitos e derrames basálticos, é responsável pela formação de belos exemplos de cuestas.
Na cidade do Rio de Janeiro, a Pedra da Gávea tem seu topo achatado (daí seu nome) devido à existência de um corpo tabular de granito que a encima, e que, por ser mais resistente à erosão, a protegeu da erosão, originando uma forma que muito se destaca das formas pão de açúcar dominantes no Rio de Janeiro
Erosão remontante
Também conhecida como erosão regressiva, é a erosão que ocorre quando o lençol freático é interceptado pela superfície do terreno. O fluxo da água subterrânea, na forma de uma fonte, inicia a retirada das partículas do solo dando surgimento a pequenos túneis que progridem em a montante do fluxo subterrâneo. Com o passar do tempo o solo que recobre este túnel, ou buraco horizontal, sofre colapso gravitacional e todo o material desmontado é carregado pelo contínuo fluxo de água. Nas épocas chuvosas a infiltração de mais água no solo aumenta o fluxo subterrâneo, reforçando a ação da erosão remontante, mesmo que o fluxo de água superficial não atinja diretamente a ravina. Desta forma a ravina vai progredindo e se aprofundando a montante do fluxo subterrâneo, isto é, numa direção oposta à da erosão fluvial. Este processo pode atingir grandes extensões e profundidades, sendo responsável pelo surgimento de uma feição geomorfológica caraterística conhecida como boçoroca ou voçoroca.



