Inclusão

De Dicionário Livre de Geociências


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Inclusão: - Genericamente falando, inclusão é todo corpo estranho incorporado num mineral ou rocha. Apesar de algumas inclusões estarem intimamente ligada à gênese do mineral ou da rocha hospedeira, sua ausência não modificaria a essência do mineral ou da rocha onde se encontra. Alguns autores definem inclusão como a que resulta da retenção de fases fluidas ou sólidas durante a cristalização ou recristalização do mineral. Esta definição, no entanto deixa de lado um importante grupo de inclusões aqui chamadas de infiltração.

Do ponto de vista de sua gênese, as inclusões podem ser primárias ou secundárias. As primárias são as que tem a mesma idade do mineral, pois foram englobadas no processo de crescimento deste. As secundárias são mais jovens e refletem fluidos que penetraram no mineral após de sua completa formação. Entre as inclusões secundárias podemos caracterizar dois tipos geneticamente distintos:

1-As que ficaram retidas devido à recristalização do mineral, processo que normalmente ocorre no metamorfismo (ou processos assemelhados, como o metassomatismo); e na diagênese;

2-As que se precipitaram a partir de soluções salinas que se infiltraram no mineral através de fraturas.

Inclusões secundárias do segundo tipo são tão características e diferentes das inclusões primárias e das secundárias de primeiro tipo, que melhor lhes caberia o nome de "infiltração", pois de sua idade, a única coisa que podemos afirmar é que é mais nova do a do mineral hospedeiro. Estas infiltrações podem se apresentar como dendritos, manchas amareladas ou ocres, cristais achatados e circulares de marcassita, plumas de goethita; entre outras.

O reconhecimento destas infiltrações se dá através da inspeção do mineral com uma lupa de mão, pois elas sempre estão situadas em fraturas claramente visíveis como descontinuidades óticas, acompanhando-as quando irregulares, e não coincidentes com as faces e planos de crescimento do cristal. Os compostos mais comumente precipitados neste caso são os óxidos e hidróxidos de ferro e manganês, e sulfetos. Quando estes compostos estão situados em planos de crescimento do cristal, constituem-se em inclusões primárias, como é o caso das inclusões apresentadas em cristais chamados de "fantasmas".

Em Geologia, as inclusões e infiltrações em minerais são tratadas diferentemente das que ocorrem em rochas. As inclusões em rochas são conhecidas como xenólitos e as infiltrações são conhecidas como veios, vênulas, entre outros nomes.

Inclusões em minerais

São substâncias líquidas, sólidas ou gasosas incorporadas pelo mineral em seu processo de crescimento. São em geral muito diminutas, e em geral, só podem ser observadas com auxílio de lupa de mão ou microscópio. Às vezes esta inclusão é suficientemente grande para ser vista a olho nu, como é o caso de grande bolhas de água incorporadas em cristais de quartzo.

As inclusões em minerais podem ser de dois tipos:

Inclusão sólida

Formam uma fase única sólida. Certos minerais, como a apatita, zircão, calcita, etc, são rotineiramente observados no interior dos minerais. A relação entre a inclusão e o mineral hospedeiro, é genética. A inclusão sólida aí se encontra porque era termodinamicamente estável nas condições fisico-químicas (temperatura, pressão, composição química, pH, EH, etc.) em que o mineral hospedeiro estava se desenvolvendo.

Inclusões minerais são particularmente importantes na Gemologia. Nos diamantes, a presença de inclusões, diminui seu valor na joalheria. Em algumas gemas, como o topázio e a esmeralda, a inclusão pode ser usada para diferenciar uma pedra natural de uma sintética. Nos rubis e safiras, finíssimas inclusões de rutilo são responsáveis pelo fenômeno do asterismo.



Inclusão fluida

Fonte:USGS/USGov.Microfotografia de uma inclusão trifásica
Fonte:USGS/USGov.
Microfotografia de uma inclusão trifásica

São inclusões que se formaram a partir da captura de fases líquidas ou gasosas. Dependendo da composição química destes fluidos, sólidos podem se cristalizar posteriormente. Diferentemente das inclusões sólidas, a fase sólida que pode estar presente numa inclusão fluida, cristaliza-se após o crescimento e resfriamento do mineral hospedeiro.

Podemos ter inclusões fluidas monofásicas (G ou L), bifásicas (GL, GS, SL) ou trifásicas (GSL), onde G,L e S são, respectivamente, Gás, Líquido e Sólido. Uma mesma fase pode estar constituída de duas ou mais substâncias.

Na foto ao lado, temos uma inclusão do diâmetro de um fio de cabelo humano. O líquido que foi capturado nesta inclusão, tinha alto conteúdo em sólidos dissolvidos. Com o seu resfriamento, precipitaram-se cristais de halita, silvita, gipsita, e hematita e o líquido diminuiu de volume, criando uma bolha de vapor de água. Aquecendo-se a inclusão a uma temperatura na qual a bolha some e os cristais se dissolvem, temos uma estimativa da temperatura mínima da formação deste mineral.

Uso de inclusões no estudo da evolução da atmosfera terrestre

Autor:USGS/USGov., modificado por E.ZimbresPaleoatmosfera terrestre
Autor:USGS/USGov., modificado por E.Zimbres
Paleoatmosfera terrestre

O estudo das inclusões fluidas contidas no gelo das calotas polares tem propiciado o conhecimento da evolução composicional da atmosfera terrestre nos últimos 200 000 anos. Para períodos anteriores, os cientistas tem estudado as inclusões fluidas de âmbar.

Análise do ar aprisionado em âmbar, mostra que há 67 Ma o teor de Oxigênio na atmosfera era de 35%, sendo que hoje é 21%. Esta modificação ocorreu quase ao mesmo tempo que a extinção dos dinossauros, mas não se sabe se há alguma correlação entre os dois fatos.






Inclusão de rocha em rocha

Inclusões em rochas são chamadas de xenólitos e ocorrem mais comumente em rochas ígneas. Nos granitos que ocorrem na cidade do Rio de Janeiro é comum encontrarmos xenólitos em vários graus de assimilação. No granito que encima a Pedra da Gávea, o intemperismo dos xenólitos deixou cavidades elípticas, comumente confundidas pelos leigos como inscrições antigas ou olhos de presumíveis esculturas.


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