Boçoroca

De Dicionário Livre de Geociências

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Autor:José Reynaldo da FonsecaBoçoroca no município paulista de Avaré
Autor:José Reynaldo da Fonseca
Boçoroca no município paulista de Avaré

Boçoroca: - s.f. Geol.- Também conhecida como Voçoroca. Palavra derivada do tupi, iby-soroc, (iby=terra e soroc=fenda) significando fenda, ravina, ruptura na terra. É empregada em geologia para se referir a ravinas onde o lençol freático foi atingido e que, em função disto, assume uma dinâmica de evolução própria e até certo ponto independente das águas superficiais, dando início ao processo de erosão remontante ou erosão regressiva .

Nota: alguns autores têm usado a forma bossoroca, no entanto esta não é a grafia registrada pelos principais dicionários brasileiros da língua portuguesa, nem pelo VOLP- Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (ver link em Bibliografia Consultada) . No entanto está correto para Complexo Bossoroca, pois esta unidade geológica deve seu nome ao Município de Bossoroca, no noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Este Município deve seu nome às boçorocas aí existentes.

O surgimento de uma boçoroca está associado a processos de erosão linear, que levam ao ravinamento. Esta erosão acontece quando o solo é exposto em função de práticas agrícolas ou práticas de ocupação urbana inadequadas. Elementos destas práticas são:

  • Desmatamento indevido do solo, principalmente em estaçoes chuvosas,
  • Acúmulo de água das chuvas em filetes, devido á falta de terraceamento, formando enxurradas que iniciam o escavamento do solo.
  • Loteamentos sem escoamento devido das águas superficiais e servidas.
  • Aração, gradeamento e plantio não respeitando as curvas de nível, facilitando o acúmulo da água com velocidades crescentes.

Uma vez atingido o nível freático tem início o processo de erosão remontante. Nesta erosão a água subterrânea ao aflorar no fundo da cabeceira da ravina, começa a solapar sua base, formando um túnel, o que leva ao desmoronamento de seu teto, progredindo a ravina a montante do fluxo subterrâneo, num sentido oposto ao da erosão fluvial.

Como a altura do nível freático é dependente do clima, subindo em épocas chuvosas, a erosão remontante irá se processar de forma desigual durante o ano, podendo até cessar nas estiagens mais longas quando o nível freático desce abaixo do perfil de base da boçoroca.

Em épocas chuvosas o nível freático sobe, aumentando o gradiente hidráulico do fluxo subterrâneo e impondo maior volume e velocidade à agua que aflora na cabeceira da boçoroca, passando e erodí-la intensamente.

O surgimento de boçorocas é facilitado pela existência de solos ou rochas incoerentes, com permeabilidade suficiente para permitir infiltração e escoamento subterrâneo da água, sendo comum em áreas de arenitos pouco consolidados das diversas bacias sedimentares brasileiras. No Brasil Central os Cerrados, importante bioma/domínio morfoclimático, tem sido particularmente degradados pela erosão, levando em muitos casos ao surgimento de imensas boçorocas.


Exemplo

Autor:Eurico Zimbres Solapamento da cabeceira de uma boçoroca considerada "estabilizada". Município de Casa Branca, São Paulo
Autor:Eurico Zimbres
Solapamento da cabeceira de uma boçoroca considerada "estabilizada". Município de Casa Branca, São Paulo
Autor:Eurico Zimbres Sistema radicular exposto pela erosão
Autor:Eurico Zimbres
Sistema radicular exposto pela erosão

É comum associar a evolução de boçorocas a solos desmatados. A imagem à direita mostra que isto está longe de ser toda a verdade, pois como a erosão se processa no subsolo, nem sempre as árvores conseguem deter este avanço. A montagem das fotos, ao lado, mostra duas visões: a da esquerda é a partir do fundo da boçoroca e a da direita é desde a superfície do terreno. É notável como o solapamento da base de sua cabeceira levou toda uma parte do terreno a deslizar. Eucaliptos de até 40 cm de diâmetro e algumas dezenas de metros de altura foram carregados sem sofrerem nenhum adernamento. Na foto à esquerda pode-se ver o profundo enraizamento destas árvores, que, apesar de possante,está agora quase que totalmente visível.

Estes fatos mostram que medidas de proteção superficial, apesar de importantes, podem não serem suficientes para deter o avanço de uma boçoroca, sendo necessárias medidas que limitem a ação erosiva do fluxo subterrâneo.


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